Anda-se falando muito na evolução do time do Atlético no jogo contra o Cruzeiro: ah, agora sim o trabalho do Luxa está dando frutos! — ouço dizer no rádio, no jornal, no twitter e no orkut. Veremos o que aconteceu.
Antes do clássico eu esperava uma derrota humilhante. Não porque o time do Cruzeiro era bom ou coisa assim (eu, ao contrário de toda a imprensa mundial, não acho que seja assim), mas porque o time do Atlético estava muito mal. Uma desorganização completa.
Se contra o América e o Tupi toda a dificuldade que o Atlético teve foi creditada ao início da temporada e às super-retrancas adversárias, não vi em nenhum lugar um consenso sobre a explicação dos resultados contra Ipatinga e Uberaba. A verdade, creio eu (e cheguei a esta conclusão por eliminação), é que para jogar contra times fechados é necessário ter um meio-campo ao mesmo tempo marcador e rápido. O Atlético não tinha um meio-campo rápido contra América e Tupi, mas ele era ao menos marcador, e assim conseguimos, contra estes times, manter um nível decente de chances de vencer – inclusive jogamos bem melhor do que o Tupi. Já contra Ipatinga e Uberaba, porém, o pouco de marcação que nos restava no meio-campo foi substituído por Obina.
Digressão
Não sei as pessoas formulam este pensamento quando vão dizer, mas, de fato, quando dizem: “tem que botar o time pra frente mesmo! perdido por um, perdido por mil! agora é tudo ou nada! três atacantes neles!”, estão dizendo que com três atacantes o desempenho do ataque melhora a troco de uma piora no desempenho da defesa. Mas não é assim que funciona. Um sistema tático com três atacantes é um sistema diferente de um com dois atacantes. Não é questão de número. É mais complexo.
Com três atacantes alteram-se as funções dos próprios atacantes, dos volantes, dos meias, dos laterais, o time todo se altera de maneira que tanto a defesa quanto o ataque fiquem, idealmente, equilibrados, porém em um novo sistema de jogo, que explora habilidades diferentes dos jogadores.
Um sistema pode ser melhor ou pior para uma equipe de acordo com as microhabilidades dos jogadores desta equipe e de acordo com o adversário (e também de acordo com a capacidade do técnico de entender bem da tática, conhecer os jogadores e orientá-los para tudo funcione bem, a parte difícil do negócio). E em cada sistema podem haver variações mais ou menos ofensivas, mas estas nuances de ofensividade não são inerentes a nenhum sistema. Alterações no sistema afetam todo o desempenho e o modo de jogar da equipe e não podem ser confundidas com aumento ou redução da ofensividade do time.
Retorno à questão inicial
Obina não deu ofensividade à equipe do Atlético, mas mudou a maneira de jogar dela. E, não sabendo jogar desta maneira, o Atlético ficou perdido. O meio-campo perdeu o poder de marcação que tinha com Evandro (Luxemburgo de quebra ainda tirou o Jonílson, o fundamental Jonílson!, mas ignoremos isto) e passou a contar com três jogadores, sobrando para nós apenas lentidão e reduzido poder de marcação e controle de bola.
Portanto, se contra América e Tupi jogamos dignamente apesar de tudo, contra Ipatinga e o Uberaba os adversários foram donos do meio de campo, nossos três atacantes se perderam na congestionada área adversária e seu grande número só fez aumentar a confusão e impossibilitar qualquer jogada ofensiva atleticana, nós fomos completamente dominados. Nestes jogos não merecemos sequer o empate.
A evolução
Mas para o clássico tudo mudou. Luxemburgo, acordando do transe em que se encontrava, sacou Obina e entrou com Renan Oliveira, que, se não aumentou o poder de marcação do meio-campo, ao menos adicionou pontos aos atributos velocidade e controle de bola (e mesmo não estando em um de seus melhores dias, teve boa participação no jogo). Jonílson também voltou ao time e garantiu maior poder de marcação.
E esse novo time desta vez, ao contrário do que ocorreu em todos os outros jogos, encontrou um adversário que jogou aberto. E isso deu espaço para que o Atlético se apresentasse da maneira sensacional como se apresentou. Lembrando os já quase esquecidos primeiros jogos do Brasileiro de 2009, fazendo-nos ver que não precisamos de um centroavante.
(Se prestarmos atenção veremos que, também a exemplo do que fizemos em 2009, não precisamos também de um jogador como Ricardinho. Mesmo tendo feito uma de suas melhores partidas pelo Atlético no sábado, Ricardinho ainda foi um dos piores do time, perdeu bolas fáceis e tocou demais para trás. Um Evandro ou um volante rápido em seu lugar nos teria feito jogar melhor, imagino).
Somados a estes fatores deve haver também aquele entrosamento do time que vai acontecendo por trás das mudanças e as perspassando, amadurecimento físico e microacertos de posição e jogadas do técnico, coisas assim. Mas a principal evolução não passa por estes pontos, como se está afirmando por aí, mas sim pela cabeça de Luxemburgo, que depois de ter oscilado entre várias escalações e sistemas táticos, parece ter entendido que não dá pra jogar com três atacantes, que jamais venceremos a batalha do meio-campo sem jogadores que saibam marcar e, principalmente, que o Atlético deve sempre jogar com velocidade e correria. Temos jogadores para isto e é este, afinal, o nosso espírito.
Essa evolução, na cabeça de Luxemburgo, é a única evolução importante que aconteceu. E a ela devo a minha esperança de que o time, uma vez acertado na cabeça do técnico, poderá evoluir em campo, aos poucos, como acontece normalmente no futebol, e que o técnico possa trocar as peças certas a fim de montar a melhor escalação para o sistema de jogo que tem em mente e que deve (ou deveria, pelo menos) se assemelhar ao que se viu no do jogo de sábado.
Não vou escrever nada sobre a entrada de Obina no fim do clássico, apesar dela corroborar com a minha tese; primeiro porque quem leu esta enorme postagem já percebeu a relação entre o que aconteceu no fim daquele jogo e o atual texto e entendeu o que eu penso sobre isto; segundo porque estou com preguiça; e depois porque o Lances & Nuances já escreveu.
Giovanni Torres Parra

Concordo com a maioria do comentário, post bem elaborado e bem lúcido.
Porém, sou contra o rebuliço que estão fazendo contra o Obina, ou senão, contra um centro-avante.
O Muriqui está jogando um bolão segundo todos vocês. Pra mim, ele é só um Éder Luís um pouco melhorado. Correria demais. Aquele gol que ele perdeu, se fosse o Obina (ou um outro centro-avante de origem), teria feito.
O Flamengo foi campeão, com atuações ótimas de um ótimo centro-avante. Errou agora querendo jogar com dois, aí já é demais. Não gosto do klebicha, acho que nem jogador ele devia ser, mas no lado azulado, vemos wellington paulista faz gols exatamente assim, sem correria, escorando a bola. Quer que eu lembre o nosso Peito de Aço também?
Não adianta de nada correr desvairadamente com a bola se, na hora que cruzar ou der o passe, não tiver alguém com competência pra empurrar pra dentro. Foi o Atlético que fez a carreira de outro centro avante de origem, Guilherme, em um ano que quase fomos campeões, não fossem atuaç]ões milagrosas de Dida. E como era o esquema? Ora Euller, ora Marques, deixavam ele na cara do gol, e o que ele fazia? empurrava a bola.
O centro avante é o expoente maior do expoente maior do futebol. O gol. E é disso que precisamos, gols e mais gols. Nossa defesa irá se encaixar com certeza, o meio rpecisa sim melhorar, precisamos de um meia-armador mais inteligente (ou menos preguiçoso) que o Renan Oliveira, e mais objetivo que o Ricardinho (pra não dizer mais jovem também). Agora, desde muito tempo, temos atacantes de sobra. Tardelli, Muriqui, Obina, Marques, e que venha a recuperação do Reinaldo, por sinal, outro centro avante.
Felicidades ao Galo, e bola pra frente, sempre!
Giovanni Torres, Primeiro, cada um tem um jogador de preferencia, aí vc criticar um e elogiar outro torna-se difícil, mas vou tentar falar minha opinião, EVANDRO vc fala muito dêle, para mim ele sim que atrasa muita bola, não rende nada, igual enseradeira, atrasa o jôgo, não lança, sempre quer dar mais um toquinho, mais uma dribla e sempre perde a bola e não volta para dar o necessário combate.prejudica o time demais e não produz lá na frente é bom jogador, mas para outro time para o Galo não.
RICARDINHO, acho ele ótimo jogador, no Galo eles querem que ele corra, craque, armador de jogadas nenhum tem velocidade, pode olhar no futebol mundial, não existe, um ou outro que tem velocidade, os armadores os meias de ligação, fazem a bola correr, não é eles que correm, e no Galo o cara sabe girar a bola, mudar de lado, APENAS NÃO ESTÃO JOGANDO AO LADO DÊLE PARA FAZER AS TABELAS, se treinassem tabelas seria a maior arma mortal contra os zagueiros, zagueiro nenhum aguenta tabelas, ficam doidos, não tem a quem marcar, e isto meu caro o Ricardinho é mestre, lança e sai para receber, os nossos atacantes que até agora não se mancaram.
Quem lança uma bola e se desmarca e corre lá na frente é porque quer receber a bola, mas nossos jogadores não sabem dêste jarjão, mas são novos, quando chegarem na minha idade vão aprender como eu, as manhas do futebol.
Usar o tal cai cai é arma para juizes dar cartão, porque quando derrubados eles não levantam e correm atraz da bola, sabe o que os defensores fazem, simples ou seguram ou metem o pé por traz aí os juizes uma hora marca a falta, mas cair e ficar reclamando nossos atletas recebem é cartão, porque os juizes acham que estão tentando enganá-los.
Quanto a Renan amigo, eu sou daqueles pacientes, mas para mim acabou a paciencia com ele, não marca, não ataca, não defende, não lança, não tabela e quando chuta, não deveria ter chutado, o único chute dêle, pena mesmo, deveria era ter lançado dentro da área mas chutou errado. Não fez nada em campo no primeiro tempo só lá para os 35 minutos foram falar nele, porque não pegou na bola.
Muitos acham que o Correa jogou bem, para mim, o cara tá demorando a soltar a bola, sempre que está com ela vira as costa e fica querendo atrasar a bola, tenta dar mais um toque mais uma dribla aí nossos jogadores já estão marcados, aí joga a bola lateral e na hora de marcar, some do jôgo, esconde, fica naquela de cerca leão de longe, tem mêdo de levar uma entre as pernas por isto não dá o combate aí sobrecarrega a defesa coitados aí levam a fama de não saber marcar, difícil.
Mas a torcida do Atletico deveria pedir ao Kalil para contratar o Bolt êste sim tem velocidade, eu não gosto disto gosto de toque de bola, tabelas, jogados de 2 toques o 1 – 2 que mata qualquer defensor e desmonta as retrancas e quem sabe o Tardelli lembre o que é jogar futebol esqueceu lá na seleção, eu disse voltar a jogar futebol, correr raça correr atraz do rival depois que perdeu a bola correria reclamar dizer que é Galo, não vale, tem é que jogar futebol e não tá fazendo desde as 5 partidas anopassado.
Mas acredito muito no time e no Luxemburgo porque acho ele um bom Treinador, sabe treinar, corrigir, ensinar
Sr. Guerra, eu compreendo as suas críticas aos jogadores do Atlético e os elogios ao Ricardinho, mas discordo da sua postura. Se procurarmos, encontraremos falhas em todos os jogadores, o que dirá nos do Atlético, todos têm defeitos e podíamos ficar aqui falando de todos os defeitos por muito tempo. Mas não cabe a nós fazer isto, porque seria horrível, além de uma enorme perda de tempo.
O que eu tentei ver é o panorama geral do time e o estilo dos jogadores. Não acho que Evandro seja o melhor jogador do mundo e tampouco que Ricardinho seja infinitamente ruim, quando recomendo a troca entre os dois faço-o mais pelo estilo dos jogadores. Pode até ser que a habilidade de passe e tabela de Ricardinho não esteja sendo aproveitada e que um time que toque a bola com inteligência seja preferível a um time que corre como o do Atlético (eu não acho, mas pode ser), porém é muito mais fácil ajustar o nosso time para jogar com velocidade do que desse jeito, por isso recomendo a saída de Ricardinho.
Não sei se ele vai mudar o jeito de jogar ou os outros vão mudar e se vai ficar melhor, se ficar melhor, ótimo, se não, continuarei pedindo a volta de Evandro ao lugar de Ricardinho. Realmente o Evandro às vezes atrasa o jogo e volta a bola e não faz lançamentos, mas o Ricardinho, como tem jogado, faz isso muito mais, volta muito mais a bola, atrasa muito mais o jogo e também não faz lançamentos. Creio que o Evandro se encaixa melhor primeiro por fazer esse tipo de jogada ruim com menos freqüência e com mais freqüência ir ao ataque e tocar para a frente, depois por saber correr (ao contrário de Ricardinho), correr é necessário no panorama atual do time do Atlético, e por fim por saber marcar mais-ou-menos (Ricardinho não sabe).
ô Luiz, eu também gosto de time com centroavante. Veja bem: não peguei no pé do Obina hora nenhuma, eu só quis falar do sistema com três atacantes, não especificamente do Obina. Eu também gostaria de um time em que um centroavante empurrasse as bolas, mas no time atual, da maneira que me parece a melhor para se jogar, não consigo enxergar um centroavante funcionando.
Porém, talvez haja, eu não entendo nada de futebol, espero que os outros entendam mais do que eu, principalmente o Luxemburgo, e que ele consiga encaixar o Obina ali no ataque. Só acho que não vai dar pra ser com três atacantes. Um dos outros vai ter que sair. Não consigo imaginar o time jogando rápido e bonito com um atacante parado na área, mas pode funcionar. Ao menos em alguns momentos deveríamos poder contar com um centroavante mesmo.
Agora, discordo sobre o Wellington Paulista. Ele empurra a bola para o gol, mas também faz jogadas fora da área, entra com a bola dominada e é muito rápido, com a bola e sem ela, não é um centroavante típico, eu acho. O Tardelli ano passado jogou muito tempo assim, empurrando a bola dentro da área, mas nunca deixou de ser um jogador rápido e habilidoso, que só ia para a área empurrar a bola nos momentos chave. E isto pode acontecer de novo este ano.
Engraçado, todo mundo entende de futebol… eu, acho que não. Não tenho certeza. Sou TORCEDORA. E dou uns palpites por aí. Eu, EM MOMENTO ALGUM, SENTI QUE FÓSSEMOS PERDER DE GOLEADA PRO CRU-CRU. Cheguei a pensar numa vitória, até num empate, mas perdemos e pronto.
Jogar contra o Cruzeiro para o Luxemburgo era ter consciência das goleadas históricas que tivemos ano passado. E, eu sabia que Luxemburgo, iria fazer de tudo para que isto não se repetisse – objetivo, a meu ver, parcialmente alcançado. O Galo jogou bem, se impôs, apesar de erros na arbitragem e substituições mal feitas pelo Luxa – ouvi falar.
Quanto ao Obina, minha opinião me rendeu um BLOCK no twitter, de alguém que eu jamais esperava levar, de uma pessoa que eu admirava pra caramba.
Mas minha opinião não mudou: o destino do Obina é voltar pra Bahia.
Penso que um time evolui de uma partida para outra por uma série de variáveis, as descritas aqui e as que não foram descritas também; um caleidoscópio de fatores. Me lembrei do Luxa ao falar que futebol não é uma ciência exata – se está trabalhando direito, as coisas mudam pra melhor, acontecem.
Eu falo isto, também pela minha própria experiência, em que fui e sou uma trabalhadora inconteste, no meu ramo de trabalho, e acho que em toda profissão é assim. Sem trabalho não há sucesso.
O resto é com vocês, entendedores de futebol
Boa Analise…
Ainda vai melhorar muito!
Rita de Cassia, passe seu Twitter para a nossa turma, pro Roberto para o Gabriel Tim sempre é bom vêr seus comentários. o meu é @jonesguerra
Giovanni, Obina meu caro é um centro avante de explosão, pode acertar e errar não é um trombador, sabe tabelar, dar assistencias como fez em Uberaba e no Acre não gosto de muitos atacantes gosto de um time equilibrado, conciente,calmo,paciente aí é que entra o pensante aquele que sabe virar o jogo tabelar fazer o dois toques o 1 – 2 e daí sempre sai os lançamentos, as enfiadas de bolas. para mim o time tem que jogar 2 volantes e 2 armadores e 2 atacantes sendo 1 dentro da área e o outro voltando para tabelar
é tudo meio confuso, né. vamos parar com esta discussão inútil, porque nem eu nem você temos a mais mínima idéia do que estamos falando.